Filosofia

Osíris Bahr e a torre Central, é uma obra baseada na relação da humanidade com as grandes adversidades capazes afetá-la.
A inspiração inicial para a construção da história, veio ha mais de dez anos quando li uma matéria sobre a morte do sol em um futuro bem distante, na ocasião, me lembro de ter passado muito tempo imaginando como a humanidade poderia lidar com isso. Quem já leu algo sobre este assunto, sabe que a previsão para isso acontecer é algo em torno de quatro bilhões de anos, mas como o nosso controle e conhecimento da natureza do céu e da terra se mostra cada vez mais pequeno a cada dia, não é tão absurdo imaginar algo parecido com isso acontecendo nos próximos anos.
Nada de mais, apenas uma imaginação fértil o suficiente para bolar uma história recheada de aventuras e divagações sobre a vida.
Lembro que naquele momento não cheguei a imaginar uma história, mas pensei muito sobre a forma que a humanidade poderia lidar com a eminência de sua extinção.
Muitos anos se passaram, muitas coisas aconteceram e, de repente, do nada aquela lembrança me retornou à memória, só que desta vez eu fiquei imaginando como as crianças e os adolescentes poderiam lidar com um problema tão grave, como seria seu estado mental? Como eles lidariam com isso? Com certeza a forma de encararem a realidade de um mundo em processo de extinção seria diferente dos adultos. Aparentemente, poderia parecer menos desesperadora, mas seus inconscientes seriam um universo a parte, assim como acontece hoje com crianças e jovens em todas as partes do mundo, onde realmente ocorrem problemas sérios de ordem social e política.
Lembrei-me de todos os estudos antropológicos e psicológicos que já fiz nesta vida e imaginei a humanidade lidando com sua extinção, naturalmente o que me veio à mente foi o desespero, este sentimento que a princípio nos parece sempre mais próximo dos outros do que de nós e, no entanto, é algo muito comum em suas várias formas de se manifestar. A insegurança e a sensação de incapacidade diante da maioria das coisas, podem gerar o desespero, e quando somos tomados por ele, muito pouco de bom somos capazes de fazer. Uns matam, outros roubam, outros ainda são capazes de provocar as mais terríveis atrocidades imaginando que estão “resolvendo” alguma coisa.
Essas divagações moldaram o mundo em processo de extinção na história, isso a partir de alguma força maior, um desequilíbrio natural – um colapso no sol que afetasse seriamente a natureza e os recursos que ela proporciona para a sociedade. Esse desequilíbrio provocaria guerras, revoltas, destruição e tudo o que uma pessoa é capaz de fazer com sua vida em um momento de desespero, a humanidade estaria fazendo consigo mesma.
Imaginei ainda uma provável solução, uma película que pudesse conter momentânea e insuficientemente os raios nocivos do sol, mas que infelizmente surgisse tarde de mais a ponto de conter pessoas sentindo-se mais confortáveis em manter a sensação de revolta com seus governos, com outros países e também com outras pessoas.
Depois disso, eu imaginei ainda como seria o “pós-mundo”, ou o resto de mundo que sobraria após o desespero ter acabado com o que conhecemos como “sociedade civilizada”.
Não consegui imaginar algo bonito como costuma acontecer em algumas histórias sobre catástrofe – o mundo tentando se recuperar pacificamente e as pessoas compreendendo o real valor da união – isso existe, isso é real, embora, infelizmente seja insuficiente em nosso atual momento, mas quando se trata de um mundo pós-destruição, o que me veio forte à mente foi o pouco que sobrou da sociedade tentando sobreviver a qualquer custo e os mais organizados preocupados apenas em formar colônias fechadas e preparadas apenas para perdurar sua existência.
É neste ponto que começa o livro – Cerca de trezentos e setenta anos após a extinção da sociedade moderna, ou o chamado “mundo antigo” como é conhecido no livro, o mundo é uma terra devastada e caótica onde a sobrevivência ganhou um novo sentido, a natureza está morrendo mais dia após dia, os recursos estão escassos e a fonte mais abundante, embora já esteja também fraca, é o reaproveitamento de recursos proveniente de restos do passado. Grupos armados e perigosos procuram perpetuar sua existência a qualquer custo, enquanto isso, outras pessoas resolveram montar sociedades fechadas, capazes de sobreviver de forma um pouco mais organizada em um mundo doente, e com o tempo essas colônias humanas proliferaram e cresceram de acordo com sua sorte e algumas tornaram-se verdadeiras fortalezas, retornando assim as origens da natureza humana, destinada basicamente em explorar e prol do bem estar ou de uma sobrevivência essencialmente sofisticada.
Na história, a união é algo irreal ou muito menor do que se prega, as colônias não são unidas de forma alguma, precisam garantir a sobrevivência de um número mínimo de pessoas em um mundo escasso de recursos. Sempre estão dispostas a guerrear por isso, no entanto continuam ignorando a possibilidade de o mundo onde estão, pode se acabar, juntamente com elas e com tudo o que prezam e acreditam.